Ciclo das quintas: como achar tons e acordes que combinam
Aprenda a ler o ciclo das quintas: armaduras de clave, os seis acordes de cada tom, relativas menores, como descobrir o tom de uma música e como modular.
Pela equipe do MuziAI. Os números vêm de medições que nós mesmos fizemos enquanto construíamos o MuziAI; os rascunhos foram escritos com ajuda de IA, e cada número foi conferido com os nossos registros de medição. Atualizado em 13 de outubro de 2026.
Encontre o seu tom no anel externo do ciclo das quintas. Esse tom e os dois vizinhos, um de cada lado, são os três acordes maiores que sempre funcionam juntos: o acorde I (o seu tom), o acorde IV (um passo no sentido anti-horário) e o acorde V (um passo no sentido horário). Os três tons menores impressos no anel interno, embaixo dessas mesmas três posições, são os acordes menores que combinam: vi, ii e iii. Em Dó maior, isso dá C, F, G, Am, Dm e Em. Esses seis acordes cobrem uma parte enorme das músicas que você já toca.

O que o ciclo das quintas realmente mostra
O ciclo é um mapa dos 12 tons maiores, organizado de modo que cada passo no sentido horário sobe o tom uma quinta justa. Começando com C no alto, a ordem no sentido horário é:
C, G, D, A, E, B, F#/Gb, Db, Ab, Eb, Bb, F, e de volta ao C.
Conte cinco nomes de nota a partir de C (C, D, E, F, G) e você chega ao G, o próximo tom. Faça o mesmo a partir de G e chega ao D. Essa é toda a construção.
No sentido contrário, cada passo é uma quarta acima: de C para F, de F para Bb. Uma quinta abaixo e uma quarta acima caem no mesmo nome de nota, então andar no sentido anti-horário é o mesmo que descer em quintas.
O anel interno mostra a relativa menor de cada tom maior: Am embaixo de C, Em embaixo de G, Dm embaixo de F, e assim por diante ao redor do ciclo.
Vizinhos no ciclo são quase o mesmo tom. Dó maior e Sol maior compartilham seis das sete notas; a única diferença é o F em Dó maior contra o F# em Sol maior. Cada passo ao redor do ciclo muda exatamente uma nota. Tons vizinhos soam aparentados, e tons em lados opostos (C e F#, por exemplo) têm muito pouco em comum.
Como ler sustenidos e bemóis no ciclo
A posição de cada tom indica a sua armadura de clave. O C fica no alto, sem sustenidos nem bemóis. Cada passo no sentido horário acrescenta um sustenido, e cada passo no sentido anti-horário acrescenta um bemol.

| Tom (maior) | Relativa menor | Sustenidos ou bemóis |
|---|---|---|
| C | Am | nenhum |
| G | Em | 1 sustenido |
| D | Bm | 2 sustenidos |
| A | F#m | 3 sustenidos |
| E | C#m | 4 sustenidos |
| B | G#m | 5 sustenidos |
| F# / Gb | D#m / Ebm | 6 sustenidos / 6 bemóis |
| Db | Bbm | 5 bemóis |
| Ab | Fm | 4 bemóis |
| Eb | Cm | 3 bemóis |
| Bb | Gm | 2 bemóis |
| F | Dm | 1 bemol |
Os sustenidos são sempre acrescentados na mesma ordem: F, C, G, D, A, E, B. Os bemóis vêm exatamente ao contrário: B, E, A, D, G, C, F. Em português, muita gente decora a ordem dos sustenidos como “Fá, Dó, Sol, Ré, Lá, Mi, Si”, e lida de trás para a frente ela dá a ordem dos bemóis. Repare que a própria ordem dos sustenidos é uma caminhada no sentido horário pelo ciclo, começando em F.
Dois truques rápidos permitem dar nome a um tom a partir da armadura. Com sustenidos, o último sustenido fica meio tom abaixo do tom: três sustenidos terminam em G#, então o tom é Lá maior. Com bemóis, o penúltimo bemol é o nome do tom: Bb, Eb, Ab significa Mi bemol maior. Fá maior, com um único bemol, é aquele que você simplesmente decora.
Na parte de baixo do ciclo, os tons se sobrepõem. Fá sustenido maior (seis sustenidos) e Sol bemol maior (seis bemóis) são tocados exatamente nas mesmas teclas do piano e soam idênticos; só são escritos de forma diferente. O mesmo vale para B e Cb, e para C# e Db. A maioria das músicas usa a grafia mais simples, então você vai ver Db muito mais vezes que Dó sustenido maior, que precisa de sete sustenidos.
Encontrando os acordes que combinam com um tom
Todo tom maior tem sete acordes construídos com as próprias notas, e o ciclo mostra seis deles num grupo compacto. Ponha o dedo no tom, olhe um passo à esquerda e um passo à direita e depois leia o anel interno embaixo dos três. Esses seis nomes são a sua paleta de acordes.
Os três acordes maiores: I, IV e V
O próprio tom é o acorde I, o que soa como casa. O vizinho no sentido anti-horário é o IV e o vizinho no sentido horário é o V. Em Sol maior, são G, C e D. Em Ré maior, são D, G e A.
Esses três são a espinha dorsal do folk, do blues, do country e do rock dos primeiros tempos por um motivo prático: juntos, eles contêm todas as notas da escala maior. Qualquer nota da melodia dentro do tom combina com pelo menos um deles.
Os três acordes menores: ii, iii e vi
Embaixo dessas mesmas três posições, o anel interno dá os acordes menores. Em Dó maior, Am embaixo de C é o vi, Dm embaixo de F é o ii e Em embaixo de G é o iii.
O padrão vale para todos os tons. Em Sol maior, os menores são Em, Am e Bm. Em Ré maior, são Bm, Em e F#m.
O acorde do sétimo grau, vii°
Um acorde fica logo fora do grupo: o acorde diminuto construído sobre a sétima nota da escala. Em Dó maior, é Bdim (B, D, F); em Sol maior, é F#dim. Ele é tenso e instável, e a maioria das músicas para iniciantes o pula ou o substitui pelo V7, que contém as mesmas três notas mais a fundamental do V.
Por que alguns acordes são maiores e outros menores
Monte um acorde de três notas sobre cada nota de uma escala maior, usando só notas dessa escala, e as qualidades sempre aparecem nesta ordem:
I maior, ii menor, iii menor, IV maior, V maior, vi menor, vii° diminuto.
É por isso que você nunca precisa adivinhar se o acorde ii de um tom é maior ou menor. Em Fá maior, o conjunto completo é F, Gm, Am, Bb, C, Dm e Edim. Em Lá maior, é A, Bm, C#m, D, E, F#m e G#dim.
Tons relativos maior e menor
Dó maior e Lá menor usam exatamente as mesmas sete notas e a mesma armadura de clave (sem sustenidos nem bemóis). O que muda é qual acorde soa como casa. Uma música que sempre repousa em C soa maior; uma que volta sempre para Am soa menor, mesmo usando os mesmos acordes.
Para achar a relativa menor de qualquer tom maior, vá até a sexta nota da escala ou conte três semitons para baixo a partir da fundamental. A partir de C: C, B, Bb, A, então Lá menor. A partir de G: G, F#, F, E, então Mi menor. No ciclo, basta ler o anel interno.
Os tons menores costumam mudar um acorde. Em Lá menor, os acordes do conjunto de notas compartilhado são Am, Bdim, C, Dm, Em, F e G. Mas o Em voltando para o Am soa fraco, então os músicos geralmente o transformam em Mi maior (ou E7) subindo o G para G#. Essa nota elevada puxa com força para o A. Se você está compondo em tom menor e o final soa mole, experimente deixar o acorde v maior.
Descobrindo em que tom está uma música
Você pode fazer o mesmo processo ao contrário numa cifra. Pegue a progressão Am, F, C, G. Procure no ciclo a janela de seis posições que contém os quatro acordes: F, C e G no anel externo com Dm, Am e Em embaixo. Essa janela pertence a Dó maior, então a música usa as notas de Dó maior.

Em seguida, decida se o acorde de casa é C ou Am. Ouça onde a música repousa e confira o primeiro e o último acorde da estrofe e do refrão. Se a música começa em Am e a última linha pousa em Am, você provavelmente está em Lá menor. Se tudo resolve em C, é Dó maior, e a progressão é vi-IV-I-V.
Um único acorde que não cabe na janela não significa que você errou o tom. Um acorde de Mi maior numa música cheia de Am, Dm e G aponta para Lá menor com o V elevado descrito acima, e um Bb numa música em Dó maior geralmente é um acorde emprestado (mais sobre isso adiante).
Progressões que saem direto do ciclo
Quando você conhece os seis acordes de um tom, pode escrever progressões com algarismos romanos e levá-las para qualquer tom. Aqui estão algumas que cobrem muito terreno, em Dó e em Sol:
| Progressão | Em Dó maior | Em Sol maior |
|---|---|---|
| I-IV-V-I | C F G C | G C D G |
| I-V-vi-IV | C G Am F | G D Em C |
| vi-IV-I-V | Am F C G | Em C G D |
| ii-V-I | Dm G C | Am D G |
| I-vi-ii-V | C Am Dm G | G Em Am D |
O ciclo também explica por que alguns movimentos soam mais fortes que outros. Quando a fundamental de um acorde desce uma quinta, ou seja, um passo no sentido anti-horário, o ouvido percebe isso como uma chegada. O V para o I é o caso mais claro: G para C em Dó maior. O ii-V-I é simplesmente dois desses passos seguidos (D para G para C), e é por isso que aparece o tempo todo no jazz. Dá para encadear ainda mais para trás: vi-ii-V-I (Am, Dm, G, C) anda três passos no sentido anti-horário e chega em casa.
Acrescentar uma sétima ao acorde V (G7 em vez de G) deixa essa atração mais forte, porque o G7 contém B e F, duas notas que querem ir para C e E.
No outro sentido, o horário, a sensação é mais de abertura do que de chegada. I para V (C para G) sai de casa; IV para I (F para C) é o final mais suave do “amém”, ouvido no fim de muitos hinos.
Indo para outro tom: vizinhos, modulações e transposição
O ciclo mostra para quais tons você pode ir sem que a mudança soe como outra música. Os parentes mais próximos de qualquer tom são os dois vizinhos do anel externo e as relativas menores dos três. Para Dó maior, são Sol maior, Fá maior, Lá menor, Mi menor e Ré menor. Cada um difere de Dó por no máximo um sustenido ou bemol.

Modulando com suavidade por meio de um acorde pivô
O jeito mais suave de mudar de tom é passar por um acorde que pertence aos dois tons. Dó maior e Sol maior compartilham C, Em, G e Am. Para ir de Dó para Sol:
- Toque uma frase normal em Dó maior.
- Pouse num acorde comum, como Am ou Em. O ouvido ainda percebe Dó maior.
- Siga com D ou D7, o acorde V de Sol maior. O D não está em Dó maior, então é nesse momento que o tom vira.
- Resolva em G. Agora ele soa como a nova casa.
Uma alternativa popular é a modulação direta: o último refrão simplesmente sobe meio tom ou um tom, muitas vezes depois de uma pausa curta ou de um único acorde V do novo tom. É menos sutil, mas dá uma elevação clara.
Transpondo uma música para a sua voz ou o seu instrumento
Transpor é manter os algarismos romanos e mudar o ponto de partida. Se uma música é I-V-vi-IV em E (E, B, C#m, A) e isso está alto demais para você, leve para D: D, A, Bm, G. As relações são as mesmas, então a música soa igual, só mais grave.
No violão, tons como G, C, D, E e A são confortáveis porque a maioria dos acordes deles tem formato aberto. O capotraste permite manter esses formatos enquanto a música soa num tom mais agudo. Quem canta deve escolher o tom pelas notas mais aguda e mais grave da melodia, não pelo que é fácil de fazer com os dedos.
Erros comuns ao usar o ciclo
Os seis acordes ao redor do seu tom são uma paleta inicial, não uma cerca. Músicas de pop e rock pegam emprestados com frequência acordes da homônima menor, como Bb (bVII) ou Ab (bVI) em Dó maior. Se um acorde fora da janela soa bem, mantenha. Saber que ele está fora explica por que traz uma cor diferente.
Alguns iniciantes leem a direção ao contrário. O sentido horário sobe uma quinta e acrescenta sustenidos; o anti-horário sobe uma quarta e acrescenta bemóis. Se você se pegar colocando um sustenido em Fá maior, confira para que lado foi.
Outra armadilha é supor que o primeiro acorde da cifra é o tom. Muitas músicas começam no IV ou no vi, então confira onde a música termina e onde ela repousa antes de decidir.
Por fim, nos tons menores as pessoas esquecem o V elevado. Tocar Em para Am em Lá menor não está errado, mas se você quer um final forte, E ou E7 para Am é a escolha usual.
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